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O Anfitrião

Somos uma família que vai cumprindo o íntimo dever de não abandonar as esperanças de quem construiu e duramente trabalhou nas terras agora sob nossa responsabilidade. Terras que o fogo abrasou, casa e moinho decaídos por forçado abandono. A revitalizar tudo isto: ajudar à regeneração natural, fazer girar a mó do moinho e animar a casa; que os campos se mostrem proveitosos e as serras reganhem vida selvagem, que famílias desejem e consigam permanecer na aldeia - provocando a vida. É um caminho que se vai adivinhando, sem qualquer regra senão contrariar o desamor com que se usa tratar a natureza e o património rural. Percebemos no velho um prenúncio de mocidade, desejo de renascimento que pede atenção. Assim rearranjámos esta casa e assim olhamos para qualquer intervenção no construído e na tradição; não preservar ou dominar, antes livremente prosseguir na aventura que outros iniciaram e que nunca é só nossa.

Estreámo-nos neste caminho com uma pequena exploração apícola e temos agora pronta a casa para receber hóspedes. Entre amigos, na serra em volta já vamos plantando castanheiros, amendoeiras, arbustos e árvores de fruta silvestre – macieira-brava, periqueiro, pereira-brava, abrunheiro, cerdeira, avelaneira, mostajeiro – que ajudem à recuperação da vida silvestre e alimentem quem venha por cá passear. Proximamente, haverá uma agrofloresta em que predominam fruteiras nas variedades regionais antigas – macieiras, pereiras, figueiras, uva de mesa – e será semeada uma insuspeita variedade de plantas com valor alimentar. Um espaço de fertilidade diversa em que se busca o conforto estético e o franco sabor do alimento.

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